Botequim Poético


"Ventilador de Teresa"

 

Para Teresa terminar uma noite sentava na beira da mesa sem ponta contando seus dedos descalços. Calada rezava sem saber rezar preces de sebo. No dia anterior jagara seus pensamentos no ventilador maneira de caducar velhas manias, nódoas ralas. Sabia que de nada adiantaria ser ela mesma. Teresa vivia de seus velachos rotineiros. De tarde era Sophia, madrugada mulher torta. Certas manhãs tinha suas horas de virgem, mulher madura em rosa. Umas noites caminhava por ruas sem nomes desconhecidos. Relendo recados antigos cobertos de poeira e saudades. Teresa cameçou mais uma manhã

se esquecendo de mentir outro nome ao espelho...

 

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 07:35 AM
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"Nackt céus"

Existem céus que se deixam ver pelos espaços em branco

Es gibt Himmel, die lassen sich von leeren Räumen aussehen

Nú, recheado de vento e sombras

Nackt, gefüllt voll Wind und Schatten

Manhãs repletas de cedo mesmo sendo doze

Morgens überfüllt von früh, obwohl es schon Zwölf ist

O feltro se mistura ao retalho

Der Filz mischt sich mit den Fetzen,

cedendo a seda crespa da janela

der gibt an der holprigen Seide des geschlossenen Fensters nach

Deixo de acreditar em céus

Ich lasse das Glauben an die Himmel

vou virar a esqueda na esquina em evidência

und gehe nach links an die einleuchtende Ecke.

 

Victor Rodrigues

Ps.: A pedidos de algumas pessoas que não podem ler o portugues

tentei “traduzir” o texto acima e de quebra mostrar a vocês como a lingua alemã

pode ser “poética”

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:16 AM
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"Paralelepípedos"

  Paralelepípedos
A porta mantinha-se fechada até ele acreditar que ela estava aberta. Os recortes mais novos eram colocados em evidêcia, ele acreditava no envelhecimento precoce de suas notícias através de leituras repetitivas. Há trinta anos ele se enfurnava naquele lugar, quarto, cova. Os filhos desitiram de convida-lô para festas, casamentos, formaturas. Os netos aprenderam a conviver com um avô em forma de quarto. Os vizinhos diziam com línguas presas, motivos ou convicções: Era Loucura!!!Mas nenhum de nós o via como louco, talvez nós fossemos loucos por não acreditar no sonho de um homem, hoje, velho. Ele dizia antes de se aposentar que seu maior medo era ser privado de escrever. Andava sossegado envolta de suas cartas enviadas de volta, por falta de endereço. Ele as via como respostas de gente de pés descalços. Minha tia insitia numa fase. Um dia conversei com ele, já tinha 21 anos e umas viagens pelas costas. Foram horas de recortes, dedos sujos de "impressum" e despedidas. Depois de umas palavras o homem não acreditava nas minhas palavras. Dizia que eu parecia os homens escondidos dentro dos sacos plásticos. Tentei ler seus lábios cansados de sombras, ele riu de minnha tentativa e me confidênciou talvez um de seus últimos segredos: "Desaprendi a sair à rua" e proceguiu "a última vez que tentei ser eu mesmo, me vi perdido na rua da frente, sem saber se andar para frente era necessário ou se esquecer de não andar era vergonha, preferi acreditar o que me diziam os rostos, nomes de avenidas, mas até esses mentiam"...Ele sorriu como um homem ao ver seu primogênito pela primeira vez, pois seus lábios arrastados vieram acompanhado por gotas de lágrimas. Virei as costas e não tive palavras para me despedir . Ele continuo a andar em voltas. Um dia minha tia liga e diz que meu tio saíra a rua sem ser obrigado. Voltou carregando paralelepipedos, sem entenderem, meus primos preferiram não priva-lô daquele momento. Todos o olhavam como se ele fosse uma peça em cartaz há trinta anos e nesse dia o protagonista principal adoecera, cedendo uma chance ao ator reserva. Aquele homem, meu tio, cavava o chão em partes com as mãos, jogou um recorte no buraco, um pouco de terra sobre ele e arrumou os paralelepipedos desarumadamente. Olhou sua platéia, onde muitos choravam e se despediu sorrindo e honroso. Veio a falecer algumas horas depois sentado em sua única cadeira, na prisão que ele próprio construíra para sí...

 Victor Rodrigues

Ps.: A demora na postagem e ausência dos blogues amigos, se deve ao fato de meu computador ter explodido há duas semanas, mas breve tentarei entrar em dia com todos.



 Escrito por Victor Rodrigues às 02:39 PM
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