Botequim Poético


"Águas de Retalho"

              

 

Prefiro andar pela cidade desligada

apagada nas sombras das roseiras

Me amarrar no preto e branco

de cores mistas, recados já escutados

Esgotei meu sono na madrugada da tarde

Reduzindo meu público a um só

As fotografias se misturavam

ao complô leviano de minhas taras

Chego à beira de um rio,

desabo no meu rosto coberto de valentia

Arrisco mergulhar nessas águas de retalho

talvez assim retornar ao meu amor no suicídio

 

 

Victor Rodrigues

Fonte: Gustav Klimt

 

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:57 PM
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"Tempestades de folhas"

 

        “Seria desvaneio demais        

sair nessa tempestade de folhas?

E resolver sentar calado

No meio dessas árvores de papel?

No que te espero

Só me resta sorrisos

Pois as lágrimas secaram

Antes mesmo deu te dizer:

Adeus!

Despedir-me de mim mesmo

e me perdi no meu próprio quintal

Procurando o cedo,

mesmo sendo tarde de mais.”

 

Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 07:58 AM
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"Calcanhar de Deus"

Massagio meu calcanhar, esse fica nos meus olhos, meu ponto fraco diante de tuas palavras, diante dos sons do acordeão mágico na hora da morte esperada, merecida, presente. Grito todas as noites com meus interrupitores a atenção de Deus, mas como o teu Deus, ele insite em não me escutar ou talvez esteja vencido, fraco, impotente, diante de seu maior acerto: o homem. Tento calcular minhas horas como se fossem as últimas, elas que insistem em passar como em câmera lenta, devagar, arranhando meu coração sufocado por meus erros de prazer e luxúria. Sei que meu tempo se limitará um dia, temo apenas ter adiantado tal momento, mas contente espero uma morte sem dor, rasteira, que faria meu peito esquerdo chorar mais do que eu choraria por minha perca...Centenário quero viver na minha ida, aprender na minha morte e sorri na despedida...

 

Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:22 PM
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"Velas de catedral e o menino"

 

 

Até para uma criança aquela noite tinha um significado de noite. As ruas eram escuras, as luminárias sobre sua cabeça limitavam-se a clarear a si mesmas, pelo medo e a distância do dia. Os paralelepípedos contavam mais um passo, de passos seculáres. Eles já tinham a sensíbidade de reconhecer um sofrido, e sentiam pena, pois sabiam que aquele sofrido tinha a idade da faísca arrancada de suas costas, por pedras arremessadas por crianças nem tão felizes. O menino temia o inesperado, embora não soubesse que o que sentia era saudade do momento por vir ou um momento prestes a se acabar. Preferiu pensar nas velas da catedral para iluminar o medo do escuro. Consetrou-se a calar, sabia que as lágrimas só iriam irritar aquela figura de mulher. Que o arrastava por ruas de gente distantes e apressadas, esquecendo de marcar seus caminhos comuns. A mão de Deusa, assim ele a chamava, nome incomum a uma mulher tão pagã, com seus calos decorrentes dos trabalhos manuais, machucava sua mão de menino. Deusa chorara na sua frente essa noite há algumas ruas atrás, por isso ele evitava em olha-lá nos olhos por temer uma represália, afinal ela era forte e só uma vez aprenderá a sentir pena daquela mulher, quando no momento de fome ele resolveu mexer no lixo de homens arrogantes e teve seu rosto sujo de vemelho, depois que um desses homens  jogou em sua cabeça uma pedra. Deusa culpou os homens, mas temia que a mancha em vermelho lhe tira-se o prêmio em suas mãos. Ele era tudo o que Deusa tinha e Deusa, por sua vez, era sua única figura concreta.

As ruas foram se perdendo no silêncio deixado por passantes calados, o clima hostil e úmido, deixava o ar mais respirável a uma distâcia do vento. Ele temia pelo suor molhado das duas mãos. Conhecia o fim e o começo de um dia sem novidades, mas aquele dia era diferente, embora ele no seu imaginar não podesse saber ainda a diferença.

 

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:03 AM
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"Janelas de Tijolos"

 

Eu me acumulei nos olhos fundos de Teresa, ela calava com seu balançar na hora de me gritar, bater, chorar. Teresa lembrava Carolina como uma mulher personagem, suas passadas tímidas na janela de tijolos, tampada aos olhos curiosos de fora, mas aberta aos olhos sonhadores da tal Teresa. Ela guardava meus passos em falso na hora da dança de estrelas caídas, mas meu sorriso acompanhado de desculpas não livrava Teresa da lambraça de seus amores, lá, saídos de festas, pisando em rosas mortas, perdendo os barcos partidos. Esse tempo que nos acumula e que não vemos passar, como os amores perdidos, como os versos de improviso cantados à beira de janelas francesas, como os sambas que lembram os tristes olhos de Teresa, Beta, Carolina...

 

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 10:44 AM
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"De mil amores"

Existem anjos que cantam com vozes alheias

aquelas que esquecem de nos falar o que ouvimos

Existem dias que dormimos perto de santos

rezando ao pé da cama textos decorados de festim

Existem ruas que se esquecem de virar na próxima esquina

continuando assim caminhos tortos em linha reta

Existem frases que se resumem a contextos exdrúxulos

por não explicar os fins sem pé nem cabeça

Existem tempos que olhamos a foto por cima de telhados

nos assustando com o reflexo nos olhos do estranho

Existem amantes que amam de mil amores

como procuro amar meus homens e minhas mulheres...

 

 Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 05:49 AM
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