Botequim Poético


"Outro Poema de Várias Mulheres"

 

Teu vestido amarelo só revela tuas costas

Que sem dizer nada me deixa sem conclusões precipitadas

ou pelo menos sem estórias para contar pros novos cúmplices

 

Me deixa ver teus rosto de embriaguez...

Me deixa sentir tua mão branca de novo...

Não me deixa correr outra vez atrás de ti...

 

Lava teu rosto com minha saliva...

Bati com tua mão em meu rosto sujo...

Não se vá outra vez e corre do tempo comigo...

 

Teu vestido amarelo desbotou com minhas lágrimas

Teu sapato preto desconcertou meu sorriso

Tuas mãos fugiram para escreverem

Outro poema de várias mulheres

 

Victor Rodrigues

Foto/fonte: portugalart



 Escrito por Victor Rodrigues às 12:55 PM
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"Sonhos de moço"

Seu sorrido acompanhou minha subida torta, calada

esperando respostas como nos sonhos de moço

Seu conchego ruiu meu coração puído

 

Tentei ser mais eu degustando paisagens ao redor

mas seu gosto pelo não beijar

falou como em versos avulsos desenhado para nós

 

Ele releu meu rosto e santo sorriu de novo

 

Terminar nosso começo era como iniciar um amor

que eu nem teria sentido por ele naquele instante

se a promessa não fosse uma volta expontanea

 

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 07:36 PM
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"Certas Flores"

Certas flores falam mais que os olhos possam ver

Lembro de querer reler teus recados,

mas deles só restavam as pétalas secas

caídas no passar dos segundos de tua vida

Olhares cegos, alheios ao meu amor

recriavam meu receio de ser teu homem

deitado na tua cama, tão puro, tão teu

Tinha vezes que está ao teu lado

não passava de horas esquecidas

Copiadas no livro do acaso esperado

Comum ao teu gesto de não me dizer nada...

 

Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 09:48 PM
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Li chico temendo escutá-lo

Saber sem querer ao pé de ouvidos

Que muitas linhas de suas noites

Presaram-me mosaicos de Peste

Lamuriei rosários malandros

No entardecer chuvoso, úmido

Pedalando movimentos arados

Tateando o vento chego a Janeiro

Me confundi com ondas sem Constâcia

Na procura de olhar o já visto

Tropecei em portuguesas

Brancas e talvez pretas

Lebrando ruélas imaginárias de Buda

Grifei passagens tortas de livros mostarda

Na ansia de não esquecer o já lido

Porém decifrados por chico

Buarqueteando barracos de Rio.

 

Victor Rodrigues

 

 

 

 

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:03 AM
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O Botequim Poético fecha para balanço, na verdade estou saído de férias à Budapeste. Volto em duas semanas com novos textos e fotos. Mas não pensem que os abandonarei nesse meio tempo, afinal num mundo de hoje, em qualquer esquina de uma grande cidade há um internet-café. Assim não perderei os posts da clientela do botequim de vista, só tentem avisar quando esses forem publicados. O texto acima traduz um momento de satisfação literária. O escrevi logo depois de terminar de ler “Budapeste” de Chico Buarque, acho que foi o que mais me inspirou a conhecer essa linda cidade...

 

 

Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:01 AM
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"Fumo de Teresa"

Teresa o descascou, como se descasca uma fruta, pedindo para ser lida, comida, saboreada, sem culpa, pressa e distância. Teresa indagava seus sonhos, rente suas palavras, o que lhe fazia lembrar das noites na ausência dele, de quando o sonhos de Teresa, fazia com que ela acreditasse que ele estava ali. Mas ao despertar Teresa via, que não passara de um lápso, uma forma de se conformar no sono, esse que Teresa invejava por tê-lo. Até o fumo abandonado fazia Teresa lembrar dele. Nas poucas vezes que Teresa parou para falá-lo, ele respondia com olhares marotos, pacatos e Teresa chorava palavras, como um que acabou de reculperar o dom da fala, da mentira...Teresa estava longe dele e ele perto de Teresa. Ele lembrava Teresa uma época, em que ela não viveu. Ela lhe fazia lembrar, o que ele nunca quiz viver...

Teresa jogou o resto de papel longe de seus dedos, temia em terminar suas confissões

resumidas em poucos palavras

Victor Rodrigues


À Vinícius Silva

 

"Lembro de brincarmos juntos

e sem pressa do tempo

falavamos bossa

de um dia sem pressa

Teus dias contam teu rosto meu amigo

Hoje ele esta em transparência na minha vida

Adimiro o homen, quase santo, amigo..."

                

                                                                     06/05.

 

 

 

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 05:19 AM
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"Escadas em descida"

Só me restava...

Virar a mesa completa de nosso café

Gritar palavras sujas nos copos já quebrados

Cortar o pulso da cadeira pálida

Alimentar tuas teias de gestos

Sacudir teu retrato caído sobre o sofá

Afogar o peixe no aquário vazio

Sacudir a poeira presa na minha louça

Deparar-me com teus livros espalhados

Contar pedaços de nós aos meus botões

Bisbilhotar teu perfume na cômoda sem gavetas

Caçoar de tuas escadas em descida

Amar preso a ausência de teu zelo

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 10:40 AM
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