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"Cartas à Maria Airam"
O terceiro Texto:

Sóis de Botequim
Face em branco e preto
Gira para sí em prol de algo
de passagem e finito
Correndo atrás de ventos frios
Sugando de teus lábios
súplicas e promessas insanas
Objetivando teus gestos e olhares
Ao ritmo do instante
Modificando apenas os céus
Que criam teu mundo
E dão a teus passos de beira
Certezas de botequim
Que ficaram no rair do sol
Victor Rodrigues
Ps: Cartas à Maria Airam nasce de uma pasta que lhe foi entregue no dia 15 de abril de 2000, data em que parto para Europa, especificadamente Alemanha. Nela continha todas os textos que escrevi no período de 1995 até 1999. Esperei quase quatro anos para pega-lá de volta. O reencontro foi estranho, abominei quase tudo que havia escrito nessa época, motivo, não sei dizer, mas assim foi. Vou mostrar periódicamente alguns textos sem correções e aguardo a opnião de vocês.Um abraço...
Pss: O texto foi datado em 25 de julho de 1999
Escrito por Victor Rodrigues às 05:57 PM
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"Garupa de saudades"

Cá volto para atropelar saudades
Reforço meus caminhos com poeiras
levantadas por nossas distâncias
Conduzo nosso distinto parentesco,
sem não me sentir envergonhado,
batizado por rezas costumeiras
embreagado por vinhos nocivos
Subo minhas linhas em transversais,
sei que delas leio meus dedos trêmulos,
assim te acostumo com minha boêmia.
Reslavo minha lágrima buscada pelo vento
no correr de minhas idas
a passos desajeitados de meninos adultos.
À Ivy Knijnik minha prima, quem conduzo com saudade sana na garupa de minha bicicleta...
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 11:50 PM
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"Luzes de Estações"

Eu deixei de me atirar de precipícios
Segui piamente as solas de teus sapatos
Evitava teus pais, teus versos
Soube me conter diante de teu alicerce
Eu sentei ali junto a porta dos fundos
Rezando teus laços em rosa
Revendo rastros deixados por tua chuva
Calava diante de tuas palavras de rei
Acreditei na minha vocação para sonhar
Te segui como luzes de estações
Só espero não aprender a deixar de saber
...como te amar
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 02:05 PM
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"Pontas de céus"

Me rodeio de espelhos
Esses não sabem que estão me refletindo
Preocupados com suas molduras pálidas
Canto por túneis desgarrados
Ensurdeço meus ouvidos
atentos aos deslises de sí própios
Não gravo nomes próprios
Fujo de palavras inúteis, difícies
Desço escadas de madeira na ponta de céus
à procura de pupilas virgens
Identifico meus restos
por meio de gestos peculiares
traduzidos por noites sem céus
"Não reconheço meu queixo no reflexo insistente"
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 07:48 AM
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"Número quatro da rua de trás"

Paredes de papel cederam ao sopro vesgo, torto
Marcas de pé no cercado ainda caminhavam em seus rodapés
Prima gritava mais alto que a casa, agora nem tão alta assim
Telhas de veraneio palideceram,
desbotaram consciêntes do meio fim vindouro
A janela quebrada resitia o barro agorento
Pilatras ainda recusavam os empurrões,
como eu em minhas horas de gramática, álgebra
O retrato do velho não estava mais alí
para me ralar com seus olhos fixos
direcionados a mim e minhas artes
Fechaduras e portas não se encontravam
Gavetas abertas cantavam à suas desordens
Casas vizinhas olhavam o chão tépido
Não encaravam meus olhos trites, sem cor
Os azulejos despediam-se do único lugar que conheceram
O número quatro da rua de trás
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 06:43 AM
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"Velha Câmera"

Ontem parei meus afazeres a olhar minha velha câmera fotografica, hoje não a uso mais. Cansei da espera, dos riscos inevitáveis por causa do nervosismo do fotografo ao tirar a foto perfeita, que nunca será vista a não ser por meus olhos. Hoje a nego, coloquei-a no quarto como decoração. Um filme em negro e branco continua nela,esperando seu momento de liberdade, essa liberdade que é involuntária, mas prefiro esperar, não o revelar, como um segredo tolo, sádico.O moderno me cegou, alimentou minha ânsia pelo belo, perfeito, frio, talvez eterno.
Minha câmera chora calada. Seus soluços lembram seu “clik” na hora de registrar passados, enxuga suas lágrimas com pedaços de fatos mal tirados, recortados, que ela insistiu em surpreender. Suas únicas companhias se limitam, a um tabuleiro de xadres vazio, não habitado, que foi perdendo suas peças no decorrer do tempo, começando por sua rainha, discos de vinil que foram comprados e afanados pra não serem escutados, uma coleção de óculos de sol, que não saem a rua, são caseiros, aprenderam a se aconstumar com a poeira e meus Cds. Todas as vezes que insisto em não olhar ela alí naquele canto, reparo nas viagens que fizemos juntos, no momento em que por irônia do ônibus, alí a esqueci,mas não entrei em pânico, ao dar conta do vazio que reinava em meu ombro. Voltei a estação calmo, certo da perca insana. Mas ela foi encontrada, devolvida aos meus olhos incrédulos.Hoje ela cobra a minha volta a estação, reclama minha preoculpação de antes e se questiona sê ser vendida, seria a recompensa merecida. Finjo não escutar seus lamúrios e muitas vezes choro calado junta dela, sem que ela aproveite de minha falta de solidez.
Persisto em esquece-lá alí, como um troféo de vento, de nada.
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 06:16 AM
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"Bonecas amantes"

Diálogo entre Bella e Victor
-Amar??
-Perante meus mundos
-Só queria saber a fórmula
-Desenhada por amores passados
-Não pra todos.
-Talvez
-Pra um só.
-Independente do modo.
-Acreditar que amores reconhecem amantes
-Experimentar.
-Até o que meus amores renegam
-Aprender os diferentes modos de amar
-Assim completando o que me deixaram fazer só
Hoje é aniversário da Bella http://www.contraindicadoparadiabeticos.blogger.com.br/, minha amiga blogueira quem tateio e adimiro...Nos encontramos sempre entre oceanos e num desses encontros saiu o diálogo acima, ela me mandou um esboço e eu tive o prazer de terminar seu poema. Desejo um lindo começo de outono a Bella e um lindo dia de aniversário. Com carinho
Victor Rodrigues Beckmann
Escrito por Victor Rodrigues às 04:42 AM
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"Vasos de Incensos"

O cheiro do incenso buscava o canto de meus olhos
Maltratando as profecias esquecidas
não lidas
Tuas roupas ainda se acumulavam no canto da sacada
Ao léu
Mofando nossas conversas de tardes foscas
Teu odor
secara junto à tua planta
a não prediléta
Tento reler nossa lista de compras
Acrescentar teus gostos
ingênuos
Desisto ao olhar nossos restos
Talhados entre dois mundos de mármore
A maçaneta que me divide de tí
Insiste em abrir a porta ao contrário
Desaproximando nossas culpas
Reprendidas de antemão
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 11:49 PM
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"Cartas à Maria Airam"
O segundo texto :

Lírios escarlates
Desprezo críticas
Realizo meus desejos
Cristalizo-me diante de teus olhos
Reanimo meu estar
Descubro segredos
escondidos atrás de olhares,
porém assim mesmo não escontro tuas palavras
Já corri atrás de troféus
Lírios e escarlates
Eles não satisfizeram meu ego
que sem direção segurou-se em ti
Sádico ou coerente não crio meu próprio instinto
Já não sei o que penso nem o que idealizo
Só me resta escrever o que cativo
“Corremos prateleiras de sonhos e despertamos desejos.
Criamos molduras
Sonhamos com lutas”
Victor Rodrigues
Ps: Cartas à Maria Airam nasce de uma pasta que lhe foi entregue no dia 15 de abril de 2000, data em que parto para Europa, especificadamente Alemanha. Nela continha todas os textos que escrevi no período de 1995 até 1999. Esperei quase quatro anos para pega-lá de volta. O reencontro foi estranho, abominei quase tudo que havia escrito nessa época, motivo, não sei dizer, mas assim foi. Vou mostrar periódicamente alguns textos sem correções e aguardo a opnião de vocês.Um abraço...
Pss: O texto foi datado em 13 de maio de 1996
Escrito por Victor Rodrigues às 03:33 PM
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"Jantar de Teresa"

Teresa sentou á mesa em companhia de retratos, quadro de duas cores, velas pela metade, objetos em prata e solidão. Teresa arrumou a casa de formas singulares na noite de ontem. Costumava arrumar tudo a noite, pois a claridade diurna revelava poeiras insistentes, das quais não se livra assim tão facil com uma flanela úmida. Preferi-se quardar em cantos, quinas e livros. Teresa regou seus quadros de madeira, suas petálas de papel e lembranças da carochinha, ao ser questionada por seus conceitos pendentes. Teresa passou camisas alheias, de desconhecidos que vivem dentro de seus armários e teimam em usar suas roupas velhas. Teresa não esperava ninguém aquela noite. O pão dormido acordou alimentando-se da saliva de Teresa, deixando suas migalhas por onde passou, eterizando percursos sem volta, sem verdades, sem mentiras. Teresa terminou seu jantar, calou as louças e os talheres e esperou por Pierre...
Victor Rodrigues
Foto: Casa do Vinícius
Escrito por Victor Rodrigues às 12:44 PM
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"Sombras de homens"

Meu rosto não passa de trivialidade diante de tua passagem descautelada
Meu pulso aveza as horas tortas de teus relógios raros
Meus lábios soluçam convulsivamente teus abraços perfudios
Meu cotovelo salienteia tuas idas e vindas ao teu amante de louça
Meu pé esquerdo dribla de trivela teus receios íntimos
Meus olhos curam tua vaga distâcia que decorre o sexo
Minha pele lava tuas almofadas de frisa caídas
Meus cabelos encaracolam-se a tuas futilidades notórias
Meu ventre intimida tuas tentativas de carícias
Minha sombra profanou tuas letras ditadas ontem
Meu homem sucumbio teu homem
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 03:48 PM
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"Faróis de terças"

Cresci em meio a lonjura de faróis
Aprendi a me contentar com a luz vindoura
Fui pouco negado
Faróis foram acesos para minha passagem
Meus pés não se acostumaram com veredas no escuro
Andavam calçados mediante convicções
mas...
...de nada adiantou
Brincava de pique esconde
Sabia onde encontrar pedaços de escuro,
alí mentia, brincado e sorrindo...
Até hoje procuro seus pedaços
Encontro e me calo
diante faróis de terças
Vcitor Rodrigues
Foto: La Paloma/Uruguai
Escrito por Victor Rodrigues às 08:24 AM
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"Cartas à Maria Airam"

Cartas à Maria Airam nasce de uma pasta que lhe foi entregue no dia 15 de abril de 2000, data em que parto para Europa, especificadamente Alemanha. Nela continha todos os textos que escrevi no período de 1995 até 1999. Esperei quase quatro anos para pega-lá de volta. O reencontro foi estranho, "abominei quase tudo" que havia escrito nessa época, motivo, não sei dizer, mas assim foi. Vou mostrar periódicamente alguns textos sem correções e aguardo a opnião de vocês.
Um abraço...
O primeiro texto:

Mar Azul
Me liga por volta das seis
E não esquece de deixar recado
Compreende!
Não te evitarei
Não por você e sim por tuas desculpas
que me deixa sem "rasão"
e com teus objetivos
Me faz acreditar que é só você
que não teria coragem de me deletar
do trole de nós dois
Que não se encheu do mar azul
Me manda flores sem bilhetes
e não esqueça de mandar também
a rosa mucha que você insistiu em não mandar
Me escreva uma carta
sem palavras e sem lágrimas
Para eu acreditar que por mais uma vez
Poderia aceitar o teu silêcio.
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 10:55 AM
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"Caminhos avessos de Teresa

“Te menti com meus diários manipulados, diante de teus olhos curiosos por segredos mais teus que meus. Te levei por corredores vazios tapando buracos de minhas pisadas em falso, em caminhos de terra e pedras ao avesso andados por meus pés nú. Te arranquei o esparadrapo envelhecido, no passar de beijos em seco, pensando em banhos no molhado.Mas revendo citações anteriores de nossas páginas, não vejo mais motivos para seguir-te. Cansei das palmas grudados no guardado, da amizade mostrada à desconhecidos, do desviar de olhos em momentos íntimos na guiar de ruas. Procuro sempre desenhar as pedras que me distânciam de ti, por saber que se as arremeçar longe, teria mais força para continuar ao teu lado mesmo nao existindo...”
Teresa não completou a carta tinha sua mão dolorida....
Preferiu guarda-lá em envelopes velhos dentro de gavetas empoeiradas....

Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 12:07 PM
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"Neguei minhas mulheres"

"Deixei de me encomodar com meu silêncio
Neguei minhas mulheres
Compreendi, sano, o seio
Deixei de existir no meu parto
Por não cumprir minha promessa como homem
Homem raro
Penso ser eu
A mulher da foto ri de minha prepotêcia
Sabe, única, meu limite
Maria...
Clara...
Teresa...
Só mais um nome na minha lista de papel"
À todas as mulheres que me fizeram nascer: a mãe do parto, a mãe do choro, as mães da rua, a mãe pai e à todas aquelas que continuam me ensinando a ser homo habilis & sapiens…
Foto: Matilde Rodrigues, minha mãe
Escrito por Victor Rodrigues às 08:29 AM
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"Rezas de Parede"

Como eu queria ter sido rezado
Póstumo
Eu me acumulei da inveja de terceiros
Desatei meus pedaços diante dele
Rabisquei a quina da mesa
Querendo ser lido
Por conversas de esquina
Calentei-me com canções desapropiadas à hora
Meu retrato,
amassado pelas digitáis gastas
por causa da velhice de minhãs mãos
Caí cansado...
Escrito por Victor Rodrigues às 01:53 PM
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"Corpos expostos de Teresa"
Teresa sempre lê primeiro o último capítulo de um livro para não correr o risco de esquecer seu fim, aprendera isso com o passar de suas horas sem sono. Sua luz de cabeceira falecera naquela noite de chuva rala, seca. Ainda estava assustada com sonho de ontem, no qual Teresa se afogava em sua própia roupa, pintada de um verde qualquer. Tinha seu corpo exposto a olhos sanos, calados no imaginar de sua pele. Tentara, embora quase que sem força, sair daquele estreito espaço molhado, mas seu suor deixava suas mãos escorregadias, o que não lhe permitia se apoiar nem mesmo ao que saltava às suas vistas . Teresa não dormiu mais, preferio retornar calada ao livro amante, deitado ao seu lado em mesas já citadas esperando um afago, uma carícia em suas letras, orelhas e histórias.
Victor Rodrigues
Escrito por Victor Rodrigues às 09:22 AM
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"Bibelôs sobre abajours"

Me vi perdido entre uma vernissage de palavras. Meu segundo meio particular, o primeiro esqueci dentro de armários, dê escutar o que não me agrada , embora eu prefire deixar para ontem meus pequenos contra-tempos, em vez de subir escadas de atitudes e depois descê-las cabisbaixo. Minha linguagem particular parecia não entender minhas traduções feita antes de me mostrarem o que eu queria ver. Meus bibelôs predilétos continuam parados embaixo do`abajour´, insistem em não escutar o que escrevo.
Escrito por Victor Rodrigues às 06:26 PM
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"Kontinuativität"

Eu não sou continuativo.Nasci quebrando tabús de pós-natal.O tapa merecido a todo recém nascido , limitou-se a um olhar.Regava meus medos no recreio, esperando a hora da saída,onde minha única certeza era os deboches infântis.Compreendia os estranhos.Eles nunca olhavam sem imitarem meu sorriso tímido necessitado de amigos.Meus cadaços embaraçavam-se em minhas canelas,seus nós tinham vestigio de impaciência.Meus livros agoentavam meu peso,possibilitando-me visões de quadro negro.O uniforme me diferênciava dos demais,pois eu mesmo o passava. Deixei de fazer baldiações em ônibus ,por já conhecer meus intineráreos.Tinha aquela velha menina que era minha amiga.Eu sempre preferi ter amigos mais velhos, por achar que não seria meu amigo,se me conhecê-se na minha idade. Eu me acostumei a ficar atrás de fotografias,por não terminar meu passo
Escrito por Victor Rodrigues às 10:35 PM
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"Bocas de rosários "

Desci os degraus de tuas frases
Em evidência despercebida por teus óculos
Sujos pelas mesmas digitais deixadas
Em meu lençol de solteiro rasgado
Na violência do passar de teus ventos
Encontrei parado na ida do bonde
Pedaços de palavras escritas por bocas
Sujas de frases conotadas no extremo
De nossos medos nos encontros de ontem
Lancei minhas notas e partituras ao rio
De nossas lembranças guardadas
Em mochilas de frases copiadas ao caso
No lamuriar de rosários
Sem fé de nossos diários
Cresci sabendo esperar a primeira
e penúltima margem de tua desculpa
No ato de andar
de meu mais novo velho desconhecido,
na rua de nosso passado.
Escrito por Victor Rodrigues às 10:55 PM
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