Botequim Poético


"Vestido estampado de teresa"

 

Teresa não sabia a diferença entre a chuva morna que caia insistente sem vento lá fora e o vestido estampado pendurado ao vento em um dia claro de inverno. Procurava andar sempre do lado esquerdo da calçada, desde que perdeu seu sapato antes de correr descalça. Teresa descosturou suas cortinas desbotadas, para coloca-lás em esquecimento no armário à lado. Descobrira em esquinas próximas bueros amarrados com laços cegos, acumulando lembraças de ontem sobre águas insistentes, que tentou enxugar com panos de chão encardidos de nódoas e rasgados. Teresa lutou contra seu olhar constante em cantos descobertos. Ela reconhecia um sorriso feito, quando mentia com seus lábios.

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 03:04 PM
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"Corrimãos de palitos"

 Teus vitrais sabiam a distância de fundos colados

Meu lado mulher criou minha mais bela letra

Desbotada...

Corri corrimãos de palito

Lendo teus recados de frida

Até ontem não sabia teu nome

Insistia em chama-lô por gestos calados

Sabendo que a fumaça saindo de tuas pegadas

marcavam suas sentinelas ao redor

 

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:55 PM
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"Redescobri algumas cartas não enviadas"

Reclamaram-me postais de Rio, antes mesmo de descobrirem o mostrado depois. Bairrista, corri a buscar fotos, talvez piégas, tradicionais. Eu achava não tê-las, revirei calçadas, tirando azuleijos do lugar. Abri armários, lembrando de apagar algumas vestes. Corri à caixas cobertas por lenções usados, por visitas já distantes. Redescobri algumas cartas não enviadas, costumo escrever cartas, mas não as envio, não sei sê, pq terei saudade do selo sujo de minha saliva ou sê a quem as enderecei, seria conveniente mais uma vez não enterder minha letra e escrita. Eu não queria ser uma carta, muito menos esse tal de selo, que gruda em sua face. Eu queria ser o carteiro, curioso, astuto, fiel, que sempre a levará a quem for destinada. No meio destas encontrei um postal endereçado a meu pai, talvez ele nunca o tenha lido, não por ignorância do carteiro, que o entregou tarde demais, mas por meu pai nunca ter existido. Até as fotos de meu pai foram compradas na rua de lavradios. Meu pai viu o Rio em poses antigas, mas meu pai nunca foi antigo. Meu pai era carteiro, fiel, curioso, astuto, mas um dia esqueceu de trazer sua própia correspondência, disse não saber mais o caminho de casa, talvez nunca o aprendeu. Suas cartas foram herança despresada, eu as quiz, esquecendo de esquecer de meu pai...



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:04 PM
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"Olhos de zebra em grades"

Teresa se perguntou quando viria a noite. Seus olhos estavam desbotados da noite anterior, ela evitava tirar a maquilagem. Suas roupas se mostravam avessa a seu corpo. Teresa visitára aquele dia com óculos escuros, sabia o efeito da claridade em seu espelho, já vivêra de reflexos, talvez ontem, se bem ela lembrava. Teresa desenhara em papéis soltos seus planos sem fundo. Teresa odeia Zoológico, sentia dó dos animas presos para satisfazer o lado homem dos homens. Copiava os olhos de zebras para não se sentir cupada diante de grades. Teresa andou na rua sem ter um passo certo, sabia que as placas sempre levavá à algum lugar. Teresa sabia que a próxima música não tocaria para ela...

                     Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:25 AM
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Paralelepipedos

A porta mantinha-se fechada até ele acreditar que ela estava aberta. Os recortes mais novos eram colocados em evidêcia, ele acreditava no envelhecimento precoce de suas notícias através de leituras repetitivas. Há trinta anos ele se enfurnava naquele lugar, quarto, cova. Os filhos desitiram de convida-lô para festas, casamentos, formaturas. Os netos aprenderam a conviver com um avô em forma de quarto. Os vizinhos diziam com línguas presas, motivos ou convicções: Era Loucura!!!Mas nenhum de nós o via como louco, talvez nós fossemos loucos por não acreditar no sonho de um homem, hoje, velho. Ele dizia antes de se aposentar que seu maior medo era ser privado de escrever. Andava sossegado envolta de suas cartas enviadas de volta, por falta de endereço. Ele as via como respostas de gente de pés descalços. Minha tia insitia numa fase. Um dia conversei com ele, já tinha 21 anos e umas viagens pelas costas. Foram horas de recortes, dedos sujos de "impressum" e despedidas. Depois de umas palavras o homem não acreditava nas minhas palavras. Dizia que eu parecia os homens escondidos dentro dos sacos plásticos. Tentei ler seus lábios cansados de sombras, ele riu de minnha tentativa e me confidênciou talvez um de seus últimos segredos: "Desaprendi a sair à rua" e proceguiu "a última vez que tentei ser eu mesmo, me vi perdido na rua da frente, sem saber se andar para frente era necessário ou se esquecer de não andar era vergonha, preferi acreditar o que me diziam os rostos, nomes de avenidas, mas até esses mentiam"...Ele sorriu como um homem ao ver seu primogênito pela primeira vez, pois seus lábios arrastados vieram acompanhado por gotas de lágrimas. Virei as costas e não tive palavras para me despedir . Ele continuo a andar em voltas. Um dia minha tia liga e diz que meu tio saíra a rua sem ser obrigado. Voltou carregando paralelepipedos, sem entenderem, meus primos preferiram não priva-lô daquele momento. Todos o olhavam como se ele fosse uma peça em cartaz há trinta anos e nesse dia o protagonista pricipal adoeceo, cedendo uma chance ao ator reserva. Aquele homem, meu tio, cavava o chão em partes com as mãos, jogou um recorte no buraco, um pouco de terra sobre ele e arrumou os paralelepipedos desarumadamente. Olhou sua platéia, onde muitos choravam e se despediu sorrindo e honroso. Veio a falecer algumas horas depois sentado em sua única cadeira, na prisão que ele próprio construíra para sí... 

     



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:44 PM
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"Fotos de caixas postais"

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 06:36 PM
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Dias de sobras de torres"

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:42 AM
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Ein...

 

Até as paredes de meu quarto reconheceram minha distância

Coloquei o rádio sem volume para repetir meu sono

Reli meu dia de sábado com livros de cabeceira

Andei pelo outro lado da rua

depois de ver filmes inusitados de binóculos

Dormi esquecendo de fechar meus olhos azuis frios

Meus sonhos foram grifados e copiados por minha letra

antes de sumirem no bocejo da manhã...

 Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:39 AM
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 Escrito por Victor Rodrigues às 11:29 AM
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„Janelas alheias de Teresa“

Teresa correu parada a imagem a sua frente. Tentou ser sensata, pois um sorriso em vão não era do seu feitio. Teresa criará expectativas na manhã de ontem, quando mudou sua mobilia de lugar e assistiu um filme deitada em seu sofá de retalhos, que há muitos evitava em locar. Teresa não escutava o telefone tocando, ironizava sua mais nova face antiga. Sua janela mostrava imagens congeladas de janelas alheias. Seu pé adormecerá antes de Teresa. Ela jugou acordar na mesma manhã de anteontem, quando seu despertador perdera-se no tempo de suas horas.

Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 01:43 AM
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"Perdas de Santos"

"Ontem mesmo quiz ter partido à procurar santos. Encontrar pedaços de madeira, gesso cozido. Conhecer a necessidade de ser merecedor de rezas. Muitos santos não temeram a morte, procuraram viver com ela. A morte não passou de um prêmio do suspiro final. Meu santo de devoção há dias pediu demissão. Argumentou minha mania de acender velas, distribuir santinhos e cantar em sua devoção."

Não era isso que ele queria. Disse querer pedidos de dinheiro, sorte, amor, proteção, essas coisas. Eu sempre achei que teria outras coisas a oferecê-lô, mas fui ingrato, ele disse.

 

 

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 06:53 PM
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„Meu personagem esqueceu ser um papel de deus“

Criei homens personagens, mulheres personagens

Para ter espelhos para meus sonhos

Brinquei de esconder no limite do mundo

Não temendo o retorno ao começo

Batizei meu nome em pedras arremessadas

Eternizando assim meu personagem principal,

evitando equece-lo

Meu reflexo em espelhos é a vaidade que mais temo

Por ela refletir meu personagem sem mácaras.

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 08:59 AM
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"Paredes de fora"

"Deixa eu ir embora acreditando na distância entre a calçada e o meio-fio de ruas desenhadas por nossos pés. Segue meu leito distribuido na minha bagunça. Feita no início por ti que sempre calado arrumou meus textos em armários sólidos Esquecendo de perguntar o efeito do mofo em meus olhos. Vira pra frente! Se esquece de agradecer: minhas mãos móveis, no para-peito de teu peito desenhadas no sagrado de quadros empoerados na parede do lado de fora de minha casa"

 

                                       



 Escrito por Victor Rodrigues às 03:13 AM
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