Botequim Poético


"Varadouro de palavras"

 

 

"Teresa sabia que seu disfarce nao duraria o tempo necessário até se esconder em outra fantasia. Tensa vedou a boca de sua máscara caída, reconhecia, que essa seria a única forma de calar suas atitudes. Teresa odeia homens em volta de curvas, retornando a cada levantar de olhos. Teresa têm conciência do lixo atrás de suas costas, seus erros e até mesmo seus acertos, muitas vezes inúteis. Teresa perdeu-se mais uma vez em seu própio olhar não sabendo por onde voltar. Teresa desconhece o passar de horas, pois os ponteiros de seus relógios conhecem somente as horas de ontem. Teresa mais uma vez encalhou calada no varadouro de palavras profanas à beira de botequim"

 Victor Rodrigues

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 12:26 AM
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"Li meus dedos"

 

 

"Li chicos temendo escutá-lo. Saber sem querer ao pè de ouvidos. Que muitas linhas de suas noites. Presaram-me com mosaicos de peste. Lamuriei rosàrios malandros no entardecer chuvoso, ùmido Pedalando movimentos arados tateando ao vento, chego a janeiro. Me confundi com ondas sem Constância, na procura de olhar o jà visto. Tropecei em portuguesas brancas e talvez pretas, lembrando ruèlas imaginàrias de buda. Grifei passagens tortas de livros mostarda na ansia de nao esquecer o jà lido. Porèm decifrados por chicos buarqueteando barracos de rio"

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 01:33 PM
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"Fotos oportunistas"

 

Teresa acordou sorrindo, seu mau humor intimidou até seu roupão, que se escondeu enrolando-se em seu corpo. Teresa não esperava esquentar o café em sua boca naquela amanhã. Seu sorriso limitou-se a um clamor amargo, marrom. Teresa temia os passageiros passantes, temia suas descidas inesperadas em estaçoes logo à frente. Sabia que seus casacos negros debochariam de sua cor pálida, quase viva. Teresa andava vendo somente suas pegadas a serem dadas, nao cabia mais em seu sutiã de perguntas. A noite anterior, donde teresa vinha e voltaria, tinha sido retratada, quase perde-se em fotos oportunas...

 

"Teresa nao esperava o resgistro fotografico de suas mentiras"



 Escrito por Victor Rodrigues às 08:10 PM
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Seria desvaneio demais

sair nesta tempestade de folhas?

E resolver sentar calado

No meio desta árvores de papel?

No que te espero

Só me resta sorrisos

Pois as lágrimas secaram

Antes mesmo deu te dizer:

Adeus!

Despedir-me de mim mesmo

E me perdi no meu própio quintal.

Procurando o cedo,

Mesmo sendo tarde de mais.

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:40 PM
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"Rio em poses antigas"

                            

Reclamaram-me postais de Rio, antes mesmo de descobrirem o mostrado depois. Bairrista, corri a buscar fotos, talvez piégas, tradicionais. Eu achava nao as ter, revirei calçadas, tirando azuleijos do lugar. Abri armários, lembrando de apagar algumas vestes. Corri à caixas cobertas por lençoes usados, por visitas já distantes. Redescobri algumas cartas nao enviadas, costumo escrever cartas mas nao as envio, nao sei sê, pq terei saudade do selo sujo de minha saliva ou sê a quem as enderecei, seria conveniente mais uma vez nao enterder minha letra e escrita. Eu nao queria ser uma carta, muito menos esse tal de selo, que gruda em sua face. Eu queria ser o carteiro, curioso, astuto, fiel, que sempre a levará a quem for destinada. No meio destas encontrei um postal endereçado a meu pai, talvez ele nunca o tenha lido, nao por ignorância do carteiro, que o entregou tarde demais, mas por meu pai nunca ter existido. Até as fotos de meu pai foram compradas na rua de lavradios. Meu pai viu o Rio em poses antigas, mas meu pai nunca foi antigo. Meu pai era carteiro, fiel, curioso, astuto, mas um dia esqueceu de trazer sua própia correspondência, disse nao saber mais o caminho de casa, talvez nunca o aprendeu. Suas cartas foram herança despresada, eu as quiz, esquecendo de esquecer de meu pai...



 Escrito por Victor Rodrigues às 10:25 PM
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"Teresa tinha cansado de andar de salto, sentou-se cruzando a perna fina. Olhando o lado sem maiores prentençoes, conciente da água em suas mãos, sabendo que ela era motivo da nódoa. Seu rosto se contorcia de dor e febre, entre maquillagem e beleza. O "bâton" envelhecido de minutos de manhã ralava seus dentes esbraquiçados. Teresa nao temia mais os homens e sim, a sí mesma, por nao ter coragem de encostar no braço sem asperezas do sofá. Teresa mentiu há poucos contou seus planos para amigos, que sem confiança calaram do outro lado da linha."

Teresa é uma mulher que existiu em algum lugar de ontem.



 Escrito por Victor Rodrigues às 03:16 PM
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Eu queria ter p¨¦s de Cartola

  • Eu queria ter p¨¦s de Cartola
  • E sambar o samba antes mesmo dele ser samba
  • Eu queria ter dedos de Cartola
  • E tocar a m¨²sica antes mesmo dela ser m¨²sica
  • Eu queria ser filho de Cartola
  • E escutar meu pai antes mesmo dele ser pai
  • Eu queria ser amigo de Cartola
  • E ler seus pensamentos antes mesmo de serem pensamentos
  • Eu queria ter olhos de Cartola
  • E ver os textos antes mesmo de serem textos
  • Eu queria ter nariz de Cartola
  • E sentir ritmo antes mesmo dele ser ritmo
  • Eu queria ser Cartola...
  • (a minha capacidade de imitar meus ¨ªdolos me difereciam de meu amigos)

 

 





 Escrito por Victor Rodrigues às 01:44 PM
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             "Postais emprestados"

 Portas séculares deliniam histórias
 Contadas por pedras de frente
 que calam no parar de bicicletas vermelhas
 Gaiolas conduzem cantos de pardais
 Noticias acumulam-se no reservado de jornais



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:06 AM
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"Algo me impede de ser homem

Cativo

Alado em cachoeiras de medos gélicos

derretidas antes do alvorada do dia

Cheguei a acreditar no branco

em páginas de histórias a serem contadas

Cresci em "estórias"

Venci meus receios"

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 08:31 AM
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"Deboches desconhecidos"

Desci os degraus de tuas frases

Em evidência desapercebida por teus óculos

Sujos pelas mesmas digitais deixadas.

Em meu lençou de solteiro rasgado

Na violência do passar de ventos teus.

Encontrei parado na ida do bonde

Pedaços de palavras escritas por bocas

Sujas de frases conotadas no extremo

De nossos medos nos encontros de ontem.

Lancei minhas notas e partituras ao rio

De nossas lembranças guardados

Em mochilas de frases copiadas ao caso

No lamuriar de rosários

Sem fé de nossos diários.

Cresci sabendo esperar a primeira

E penúltima margem de teus debochis

No ato de andar

de meu mais novo velho, desconhecido,

na rua de nosso passado."

"Minha maior virtude seria retratar meu rosto sem culpa"



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:57 PM
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"Se meus faróes mostrassem meus medos nao os acenderia"

 Escrito por Victor Rodrigues às 04:50 PM
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"Casacos predilétos"

Tentei ser meus textos ensaiados

em momentos de permanente atencao

ao dizer meus medos distantes

ou alegrias pertas para alguem,

que se mostrou o inverso do reflexo

fixado no espelho do quarto ao lado.

Imaginei em teus olhos palavras

enventadas a olho nú

e presas em casacos predilétos.

Queria sim ter escutado poetas mortos

em camas desconhecidas

para assim conhecer o desconhecido.

Poderia ter sido menos eu

e tentado construir

muros de amizades de jornal.

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:37 PM
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"Folhas chamuscadas"

"Chamusco de folhas congeladas

enganam meus pés em cuidado

de deslisos passados por mim.

Vejo postais de estranhos parados,

mandados sem endereços escritos

por mim ao receber tuas cartas

A madeira molhada me faz escorregar

Em pensamento de horas sem sono

Acordando o criado-mudo de pés de cama

Latejando de andanças por cruzadas

De quatro paredes pintadas de creme

Ponteiros insistem em minha saída

De improviso usando cordoes velhos

De espera atrás de cortinas de poeira

Soltas de aplausos por meu mais um

Novo passo a nao terminar

O que penso esta pronto"

Victro Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 04:37 PM
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"Para-peitos de calçadas"

"Deixa eu ir embora

Acreitando na distancia

Entre a calçada e o meio-fio

De ruas desenhadas por nossos pés

Segue meu leito distribuido na minha bagunça

Feita no inicío por ti

Que sempre calado arrumou meus textos

Em armários sólidos

Esquecendo de perguntar

O efeito do mofo em meus olhos

Vira pra frente!

Se esquece de agradecer

Minhas maos móveis

No para-peito de teu peito

Desenhado no sagrado em quadro

Empoerado na parede do lado

De fora de minha casa"

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 02:34 PM
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"Rezas de Pai`s e Maria´s"

 

"Te ignorei em sonhos, nao tao reais como você,

tentando assim mostrar-me forte as minhas palpebras fechadas

já desacreditadas diante de minhas calúnias rezadas

á beira de camas de outros

Soluçando rezas de pai`s e maria´s

no contato da boca com o ar quente

de velas de sétimo em minutos

Meu pijama nao me acompanha

em tais sonhos nao por nao acreditar na tua mentira

porém,

por temer a tua realidade

presente em sonos de uma noite com outros."

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 01:28 PM
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Bules de chà, requentados para um terço serrado
Tentativas de beber meus boudos gèlicos
de distancia e tempo

Fotografias em pratas reluzidas
no segundo esperado
dirijidas a dedos sem tenecia

Sofas em branco regados a vela
de girassòis mumificados
na ceira sem cheiro

Calças destecidas a farrapos
de costumes desiguais
do rabo de cavalo

Relidas de incògnitas
pardas em rosto de mulher
de sorrisos olhados

Criadas alusoes de linhas
cegas no branco de "pìmba"
por compreender sotaques
poèticos remexidos com
garfo e faca"

       Victor Rodrigues
       Montevìdeo
       11/12/03
Essa é uma antiga, mas nem tao antiga assim!!!Um ótimo sabado pra todos...

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 11:41 AM
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Dia de menino

"Cansei de ser menino, calado diante da mesa de sinuca, radiante perante o mostrado e sabendo que nada entre eu e ele será novo, modifiquei meu tempo de passado pra presente confiante em despedidas de um depois, lamuriei meu ouvir a teu mais novo sentimento e corri pra nao tentar ver tais sorrisos."

Bom dia!!!Aqui em Berlim sao 9:06 am, a temperatura fora é de -10°,o que faz cada osso do corpo se arrepiar de frio!!!Mas a cidade é sempre linda e mostra-se a cada dia minha Berlim de sempre...Um abraco e um ótimo dia a todos...

 



 Escrito por Victor Rodrigues às 08:10 AM
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"Chego atrasado em meus medos de antes, querendo nao ser o mesmo e tendo a mesma imagem no espelho do mesmo quarto.Passeio em meio a desconhecidos conhecidos da mesma rua esquecendo de olhar pra trás, sabendo que o penúltimo sempre terá cara do mesmo último inesperado. "

Mesmo longe de um "butiquim"(botiquim) de verdade sempre me vejo perto de um motivo qualquer pra me sentir o mais próximo possivel de um,acho que criando isso aqui me da essa oportunidade...Quem quizer me conhecer é só escrever: victor761@hotmail.com e quem quizer ver-me é só entrar no site:

http://fotos.terra.com.br/album.cgi/396721

E ver umas fotos minhas...Um grande abraço a todos

Victor Rodrigues



 Escrito por Victor Rodrigues às 05:06 PM
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Alemanha, Berlim, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, German, Livros, Música, Escrever
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